Ano 6 | Nr.63 | jun 2021

Old _1200x 600


Editorial

Novas Vacinas e novos Passaportes 

 

Acompanhando, a nível planetário, a abertura progressiva das fronteiras, assiste-se ao lento reinício das consultas de medicina do viajante. Presenciais, sobretudo. A infeção por SARS-CoV-2, e respetivos problemas, trouxe uma nova ajuda a quem faz consulta: os viajantes têm uma maior consciência do risco de sairmos da nossa zona de conforto e entrarmos num ambiente onde podem existir microrganismos que provoquem doença. Exatamente a razão de ser da medicina do viajante. E, por isso, os viajantes vêm à consulta para ter mais informação em relação à Covid-19, aos números e evolução das taxas de infeção nos países de destino, das regulamentações de entrada e saída impostas por esses países. Se a consulta já era extremamente exigente para o profissional, ainda mais exigente se tornou, pela necessidade de informar completa e corretamente sobre novas áreas de aconselhamento.

Na consulta surge, inevitavelmente, uma nova pergunta: a imunidade do viajante em relação à SARS-Cov-2, por infeção anterior ou por vacinação. A utilização das vacinas do viajante em pessoas que foram ou serão em breve imunizadas contra a Covid-19 levanta algumas dúvidas e discussão, sobretudo no que se refere aos períodos entre as administrações. Em Portugal, na altura em que escrevo, a recomendação é de aguardar 14 dias entre a vacina anti-Covid-19 e as vacinas prescritas. As recomendações internacionais, no entanto, variam muito, desde o extremo cuidado – 28 dias, do Canadá - até uma utilização sem qualquer limitação proposta pelos EUA através do CDC. A minha opinião é defensiva. Não devido a argumentos de vacinologia, que justificariam, sem grandes dúvidas, que algumas vacinas para viajantes pudessem ser associadas às vacinas anto-Covid-19 no mesmo dia ou com intervalos curtos, mas devido aos aspetos sociais associados a esta vacinação. Refiro-me, mais precisamente, à pressão na opinião pública sobre as vacinas e seus efeitos adversos e, portanto, ao risco de maior entropia na já frágil e nebulosa consciência social sobre estas vacinas.

Inevitável será, na consulta aos nossos viajantes, falar sobre o passaporte Covid-19. A discussão já começou, com uma plêiade de argumentos pró e contra, vindos de diferentes áreas científicas e sociais, política e economia, ética e ciência médica. Numa perspetiva epidemiológica, na infeção por SARS-Cov-2 existe possibilidade de transmissão do vírus a partir de qualquer pessoa infetada. Muito elevada nos não imunes – viajando sem vacinação, apenas com os requisitos determinados pelo país para onde viajam - menor (mas ainda existente), nos imunes. Por isso, os viajantes infetados (mesmo os imunizados) podem ser hospedeiros da infeção a partir das diferentes zonas do mundo visitadas, aumentando o risco de transporte de variantes para novos locais. Quando a mobilidade provoca a entrada de novas variantes num país onde as taxas vacinais são elevadas, poderá não existir um grande problema… Mas num país de baixa renda, com taxas vacinais baixas e longe da imunidade de grupo, existe um risco importante, com subida de novos casos, novas e muitas mutações e possibilidade de novas variantes… Um novo pesadelo. É fundamental reforçar que o passaporte Covid-19 obriga à manutenção de todas as medidas de prevenção da transmissão do SARS-CoV-2 por parte do viajante.

Uma última palavra de alerta para este novo ciclo de aconselhamento ao viajante: viajar vai seguramente implicar a vacinação contra a Covid-19 e o respetivo passaporte, mas não pode fazer esquecer os restantes riscos que devem ser prevenidos, quer por outras vacinas, quer pelos comportamentos do viajante.

 

Jorge Atouguia
 
Presidente da Mesa de Assembleia Geral da SPMV
Clínica de Medicina Tropical e do Viajante

 

                                                                  

 

Novas Vacinas e Passaportes


A Covid-19 continua a ser a grande preocupação e mesmo com os índices de vacinação a aumentar a esperança de “resolver” a pandemia vai sendo adiada. A emergência de variantes do vírus e o aumento do número de casos (como temos de momento em Portugal) afastam-nos desse propósito. A nível global o acesso às vacinas é assimétrico, há hesitação e má adesão à vacina. Está tudo em aberto na evolução da pandemia.
 


O ECDC reportou dois casos de Febre Hemorrágica da Crimeia-Congo em Espanha durnate 2021. Ambos os casos foram diagnosticados na comunidade de Castela-Leon e foram associados a picada de carraças.

A China recebeu a 30 de Junho 2021 da OMS a certificação de eliminação de malária; este é um feito de relevo, sobretudo se recordarmos que nos anos da década de 40 do século XX registava 30 milhões de casos anuais de malária

 

 

PUBLICAÇÕES SELECCIONADAS

 

Cardona-Ospina JA, Arteaga-Livias K, Villamil-Gómez WE, et al. Dengue and COVID-19, overlapping epidemics? An analysis from Colombia. J Med Virol. 2021 Jan;93(1):522-527. doi: 10.1002/jmv.26194. Epub 2020 Jul 11. PMID: 32558962; PMCID: PMC7323437.

Sotomayor-Castillo C, Radford K, Li C, Nahidi S, et al. Air travel in a COVID-19 world: Commercial airline passengers' health concerns and attitudes towards infection prevention and disease control measures. Infect Dis Health. 2021 May;26(2):110-117. doi: 10.1016/j.idh.2020.11.002. Epub 2020 Nov 19. PMID: 33303405; PMCID: PMC7674115.

Bauer D, Farthofer A, Chromy D, et al. Recent outbreaks of severe hepatitis A virus infections in Vienna. Eur J Clin Microbiol Infect Dis. 2021 Feb;40(2):335-344. doi: 10.1007/s10096-020-04028-x. Epub 2020 Sep 17. PMID: 32940811; PMCID: PMC7817601.

Soentjens P, Croughs M. Simplified rabies pre-exposure prophylaxis in last-minute travellers. J Travel Med. 2021 Jan 6;28(1):taaa185. doi: 10.1093/jtm/taaa185. PMID: 33009803.^

Maier JD, Siegfried S, Gültekin N, et al. Efficacy and safety of tafenoquine for malaria chemoprophylaxis (1998-2020): A systematic review and meta-analysis. Travel Med Infect Dis. 2021 Jan-Feb;39:101908. doi: 10.1016/j.tmaid.2020.101908. Epub 2020 Nov 20. PMID: 33227500.


 

FICHA TÉCNICA

Edição 
Direção da SPMV

Corpos Diretivos da SPMV
Direção 
Prof. Doutora Cândida Abreu
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
Centro Hospitalar Universitário de São João, Porto
Presidente

Dr. Dinarte Nuno Viveiros
Unidade de Saúde Pública, Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Interior Norte
Centro de Vacinação Internacional, Coimbra
Vice-Presidente

Dr.ª Sandra Xará
Centro de Vacinação Internacional,
Centro Hospitalar Universitário do Porto
Secretária-Geral

Dr.ª Gabriela de Lacerda Saldanha
Unidade de Saúde Pública, Agrupamento de Centros de Saúde Tâmega I – Baixo Tâmega
Vogal Efetiva

Enf. André Silva
Centro de Vacinação Internacional, 
Centro Hospitalar Universitário do Porto
Vogal Efetivo e Tesoureiro

Dr.ª Gabriela Saldanha
Responsável de Conteúdos Editoriais

Mesa da Assembleia Geral 
Prof. Doutor Jorge Atouguia
Clínica de Medicina Tropical e do Viajante
Presidente

Prof.ª Doutora Cláudia Conceição
Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Vice-Presidente

Dr. Rui Pombal
UCS – Cuidados Integrados de Saúde (Grupo TAP)
Secretário

 

 

Conselho Fiscal 
Prof. Doutor Saraiva da Cunha
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Presidente

Prof.ª Doutora Filomena Martins Pereira
Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Vice-Presidente

Dr. Luís Malheiro
Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho
Vogal

  

 

 












 

 

Supervisão e apoio Técnico Informático
Daniel Garrido

Old _1200x 600